Vivemos uma revolução silenciosa: a do envelhecimento com propósito. Os brasileiros com mais de 60 anos, antes vistos como dependentes e passivos, hoje se posicionam com desejos próprios, hábitos ativos e uma busca clara por liberdade, saúde e pertencimento. É nesse cenário que surge uma nova demanda por instituições de longa permanência (ILPI´s) que respeitem a autonomia, promovam vínculos e ofereçam qualidade de vida real — muito além do simples cuidado.
Os dados apresentados no 1º Simpósio “Gestão e Longevidade em ILPI” são alarmantes e elucidativos. O custo mensal para manter três cuidadores (incluindo encargos, férias, 13º salário e folgas) ultrapassa os R$ 17.000,00 — sem contar alimentação e transporte. Paralelamente, uma pesquisa da UNIFESP estima que o custo direto mensal para o cuidado domiciliar de um idoso com demência chega a R$ 7.200,00. E isso sem contabilizar o chamado “custo indireto”: o impacto emocional e financeiro de um familiar que precisa abdicar de sua carreira ou de oportunidades de remuneração para assumir os cuidados.
Esses números revelam uma realidade muitas vezes ignorada: cuidar de um idoso em casa, especialmente com doenças crônicas ou quadros de demência, exige muito mais do que amor. É um desafio que mistura desgaste emocional, alto investimento financeiro e a ausência de infraestrutura adequada.
Por experiência pessoal, lidar e conduzir os cuidados em casa, 24 horas por dia, após o diagnóstico duplo de Alzheimer em meus pais transformou a dinâmica familiar em uma jornada complexa, repleta de desafios e angústias silenciosas. A casa, antes palco de memórias, tornou-se um labirinto de rotinas repetitivas e cuidados minuciosos, onde a paciência e a resiliência são testadas a cada amanhecer.
A angústia se manifesta na culpa por não conseguir estar presente em muitas horas do dia e noite e no luto diário pela perda progressiva de quem eles foram. Além da necessidade de se abdicar em diversos momentos de convívios com esposa, filhos e demais relações de amizade. A preocupação com a condução, acompanhamento e supervisão dos cuidados com medicamentos e terapias se soma ao desgaste emocional e físico, enquanto a reflexão sobre o futuro — de nós, filhos, e o deles — se torna uma questão constante e dolorosa, mostrando a lacuna entre a teoria da longevidade e a prática do cuidado.
Ao mesmo tempo, os idosos de hoje — ativos, conectados e engajados — rejeitam a ideia de viverem em locais frios e impessoais. Eles buscam ambientes que proporcionem liberdade, atividades significativas, cuidado humanizado e, acima de tudo, respeito por suas histórias e individualidades.
É com essa visão que estamos idealizando o Serrana Living: um residencial voltado à nova longevidade, onde cada detalhe é pensado para oferecer não apenas segurança e conforto, mas também estímulo, autonomia e afeto. Nosso espaço foi projetado para criar memórias, fortalecer vínculos e promover experiências transformadoras tanto para os residentes quanto para suas famílias.
Como empreendedor à frente desse projeto, acredito que nosso papel é reimaginar o envelhecer. Precisamos ir além da assistência básica. O Serrana Living nasce para ser referência em uma nova forma de morar, conviver e viver bem, oferecendo estrutura de ponta, equipe capacitada, atenção integral à saúde física e emocional, atividades diárias, e um ambiente acolhedor e inspirador.
Porque envelhecer deve ser sinônimo de transformar. Transformar a forma como enxergamos o tempo, os cuidados e as relações. A nova longevidade pede inovação, empatia e responsabilidade. E nós, do Serrana Living, queremos liderar esse movimento.
Um abraço,
Arisio França Jr.
Fontes: Revista SeniorLab, Revista UNIFESP 299
Realização: 1º Simpósio Gestão e Longevidade em ILPI | Terça da Serra